O gauge é a distância entre as filas de agulhas na máquina de tufagem, medida em polegadas. Determina quantas filas de fibra cabem em cada metro do relvado — e é, por isso, um dos fatores diretos da densidade final.
Valores comuns e a conversão
Os gauges mais usados na indústria são 3/8", 5/8", 3/4", 3/16" e 5/32" de polegada. Para os comparar com números europeus, multiplique a fração por 25,4:
| Gauge | Distância entre filas | Onde aparece |
|---|---|---|
| 3/4" | 19,1 mm | Relva desportiva de fibra alta |
| 5/8" | 15,9 mm | Campos e modelos de fibra alta |
| 3/8" | 9,5 mm | O mais comum em jardim residencial |
| 3/16" | 4,8 mm | Relva decorativa muito densa, fibra curta |
| 5/32" | 4,0 mm | Putting greens e aplicações especiais |
Repare na lógica: quanto menor a fração, mais próximas ficam as filas e mais cheia fica a aparência do relvado. Um gauge de 5/32" produz uma superfície quase lisa, do tipo usado em greens de golfe; um de 3/4" deixa espaço entre filas, o que só funciona com fibra alta e enchimento.
Gauge não é densidade — é um dos fatores dela
O gauge mede apenas a distância entre filas, numa direção. A densidade final, em pontos por metro quadrado, resulta de combinar o gauge com a frequência de tufos ao longo de cada fila — que a máquina controla pela velocidade de avanço do tecido. Ver pontos por m² para a fórmula.
Na prática, isto significa que duas relvas com o mesmo gauge podem ter densidades finais bastante diferentes. Comparar dois modelos só pelo gauge é como comparar dois tecidos só pelo número de fios na horizontal, ignorando a vertical.
Porque o gauge condiciona a altura
Há uma relação prática entre os dois que raramente se explica. Filas muito juntas com fibra alta criam uma superfície tão densa que a água tem dificuldade em atravessar e o enchimento não desce até à base. Por isso os fabricantes combinam gauges maiores com fibras altas e gauges pequenos com fibras curtas.
É a razão pela qual não existe relva de 50 mm com gauge de 5/32": seria impossível de manter e de drenar. Ver altura da relva sintética e permeabilidade.
Onde o gauge se nota na obra
Numa instalação, o gauge define por onde se corta. Corta-se sempre entre filas de tufos, nunca através delas, e um gauge maior dá mais margem para acertar o corte. É um detalhe que se agradece numa emenda: com filas muito juntas, um corte um milímetro ao lado atinge fibra e a junta fica visível. Ver corte e juntas.
Gauge e enchimento
Há uma consequência do gauge que só aparece depois da obra: a quantidade de areia que o relvado aceita. Filas muito juntas deixam menos espaço entre tufos, e a areia tem dificuldade em descer até à base mesmo com escovagem — fica depositada sobre a fibra e dá um aspeto esbranquiçado.
Por isso os modelos de gauge pequeno costumam ser vendidos para aplicações que dispensam enchimento, como varandas e superfícies decorativas, enquanto os de gauge maior contam com areia para se manterem de pé. Se o fornecedor recomenda uma quantidade de areia que a relva claramente não aceita, vale a pena perguntar porquê. Ver areia de sílica.
Porque as fichas europeias e americanas divergem
O gauge é uma herança da indústria têxtil norte-americana e por isso vem sempre em polegadas, mesmo em fichas europeias que dão tudo o resto em milímetros. É uma das razões pelas quais duas fichas do mesmo produto, vindas de mercados diferentes, parecem descrever relvas diferentes.
Quando comparar propostas, converta tudo para a mesma unidade antes de concluir seja o que for. E prefira sempre a densidade em pontos por metro quadrado, que é comparável entre qualquer fabricante e não depende de sistema de medida.
O gauge raramente aparece isolado numa ficha técnica voltada para o consumidor final — é mais comum no setor têxtil e industrial. O número que interessa diretamente na decisão de compra é a densidade já calculada, em pontos/m², combinada com o dtex e o peso da fibra.
Cada ficha em produtos mostra densidade, dtex, altura e composição. Se quiser ajuda a comparar com outra proposta, fale connosco pelo WhatsApp ou peça um orçamento.
