A relva sintética deixa a água passar através do backing perfurado — mas isso, por si só, não garante que o espaço não fique encharcado. O que decide isso é o que existe por baixo.
Caimento
Um caimento ligeiro (definido na etapa de preparação do terreno) orienta a água para uma zona de escoamento — uma sarjeta, uma zona de terra permeável, ou o limite do terreno — em vez de a deixar acumular-se no centro do relvado.
Sub-base permeável
Uma sub-base bem compactada, feita com materiais granulares, deixa a água infiltrar-se e circular por baixo do relvado em vez de ficar retida à superfície. É por isso que a compactação excessiva ou o uso de materiais errados (ex.: solo argiloso não substituído) prejudica tanto o escoamento, independentemente da qualidade da relva por cima.
Superfícies impermeáveis são um caso à parte
Sobre betão, laje ou cerâmica, a água não se infiltra no solo — precisa de um sistema de escoamento superficial dedicado (caimento para uma zona de recolha, ou um dreno). Ver instalação sobre betão para o detalhe.
Se possível, regue abundantemente a área já preparada (antes de colocar a relva) e observe se a água escoa ou fica retida. É um teste simples que revela problemas de drenagem antes de serem cobertos pelo relvado.
Onde a água tem de ir dar
Esta é a pergunta que decide o projeto e a que mais vezes fica sem resposta. Um caimento bem executado que leva a água até um canto onde não há nada resolve pouco: só muda o sítio da poça.
As saídas possíveis são quatro: uma zona de terreno permeável fora do relvado, uma caleira ou sarjeta existente, uma caixa de recolha ligada à rede pluvial, ou um poço absorvente. Definir qual é — e confirmar que tem capacidade — faz parte da visita técnica, não da obra.
Drenagem em terreno argiloso
O solo argiloso é o caso difícil em boa parte da região de Lisboa. A água atravessa a base e para, porque o terreno por baixo não a absorve. A solução habitual combina três coisas: camada de brita envolvida em geotêxtil, um tubo dreno perfurado no ponto mais baixo, e condução até uma saída com capacidade.
É trabalho que acrescenta custo à obra e que se tenta cortar quando o orçamento aperta. Vale a pena resistir: é a parte que não se pode corrigir depois sem levantar o relvado todo.
Sinais de drenagem mal resolvida
Nem sempre aparecem como poças. Uma zona que fica mole ao pisar muito depois da chuva, musgo nas zonas de sombra, cheiro a húmido em espaços com animais, ou uma faixa permanentemente mais escura são todos sintomas do mesmo problema. Ver odor de urina e permeabilidade.
Um relvado bem drenado deve estar pisável poucos minutos depois de parar de chover. É esse o padrão de comparação, e é um dos argumentos mais fortes face a um relvado natural, que fica enlameado durante dias.
Drenagem e vizinhos
Um ponto prático que gera conflitos com frequência: a água encaminhada de um terreno não pode passar a descarregar no terreno ao lado. Em moradias geminadas e em condomínios, vale a pena confirmar para onde vai a água antes de definir o caimento, e não depois da primeira chuvada forte.
Em condomínios, obras em partes comuns têm ainda de passar por assembleia. Ver relva sintética em condomínios.
Manutenção do sistema de drenagem
Uma drenagem bem feita não é eterna se ninguém olhar para ela. As caleiras, ralos e caixas à volta do relvado enchem-se de folhas e de areia arrastada, e um ralo entupido anula todo o trabalho feito por baixo.
A verificação faz parte do calendário de manutenção: uma vez no outono, depois da queda da folha, e outra no fim do inverno. Ver manutenção preventiva.
Avaliamos a causa e dizemos o que é preciso corrigir, mesmo em obras que não fizemos. Fale connosco pelo WhatsApp ou peça um orçamento.
